VIBE IN PUBLIC_

O QUE É · GUIA DO MOVIMENTO · ESCRITO POR QUEM FAZ AO VIVO

Vibe coding: o que é e como funciona

Vibe coding é programar descrevendo em linguagem natural o resultado que você quer e deixando a IA escrever o código. Você conduz pelo que a coisa faz — pede, testa, corrige o rumo, aceita o que funciona — em vez de digitar cada linha. O termo foi cunhado por Andrej Karpathy no começo de 2025 e virou o nome de um jeito de construir que hoje entrega produto de verdade, com cliente pagando.

Esta página é o guia do Vibe in Public, e ela é diferente dos outros guias sobre o assunto por um motivo: aqui o vibe coding acontece ao vivo. Nada do que está abaixo é hipótese de laboratório. É decisão tomada com a câmera ligada, transcrita da live, com o link do momento exato em que a pessoa parou e mudou de ideia.

EM UMA FRASE

Você descreve o resultado. A IA escreve o código. Quem responde pelo que entra em produção continua sendo você — e é aí que o vibe coding vira ofício em vez de sorte.

01 · A DEFINIÇÃO INTEIRA

O que é vibe coding, sem enfeite

Programar sempre foi traduzir uma intenção para uma linguagem que a máquina entende. O trabalho de tradução era todo seu: você sabia o que queria e gastava horas transformando isso em sintaxe. No vibe coding a tradução sai da sua mão. Você fica com a parte que a máquina não faz — decidir o que vale existir, dizer qual é a restrição, e reconhecer quando o que voltou está errado.

A palavra "vibe" no nome não é sobre relaxar. É sobre o nível em que a conversa acontece: você fala do comportamento desejado, não da implementação. "Quero que isso poste sozinho no TikTok sem eu pagar servidor" é uma frase de vibe coding. O caminho até lá — biblioteca, empacotamento, autenticação — a IA propõe, e você aceita ou devolve.

ONDE ESTÁ A SUA HORA

Programando do jeito tradicional

A maior parte do tempo vai em escrever e depurar sintaxe. O gargalo é digitar. Uma ideia leva semanas até virar algo que você pode mostrar pra alguém.

Fazendo vibe coding

A maior parte do tempo vai em descrever, ler o plano e julgar o resultado. O gargalo é decidir. Uma ideia sai do prompt numa tarde — e a conta de manter aquilo chega na mesma semana.

O que vibe coding não é

Não é no-code. No-code te dá blocos prontos dentro de uma plataforma; vibe coding te dá um projeto de código real, num repositório real, que você pode abrir, versionar e hospedar onde quiser. O código existe — você só não o digitou linha por linha.

Não é "a IA faz tudo sozinha". A IA otimiza pelo que sabe, e ela não sabe o que você não contou. Um plano perfeito no manual pode ser o plano errado pra sua máquina, seu orçamento ou seu prazo. O caso mais didático disso está mais abaixo: um passo tecnicamente correto que teria enchido um SSD e travado o projeto inteiro.

Não é só protótipo descartável. Os builders do movimento vendem o que constroem assim: assinatura mensal, licença de app desktop, sistema de atendimento entregue pra empresa pequena. O protótipo é o começo do caminho, não o fim dele.

E não é fidelidade a uma ferramenta. É o que a Lei 8 do movimento diz com todas as letras: "LLM, AI, vibe coding não é religião, não é política e não é Grenal. Cada modelo possui o seu melhor benefício." Quem troca de ferramenta quando a ferramenta piora está fazendo o certo.

02 · COMO FUNCIONA

Como o vibe coding funciona na prática

O loop é sempre o mesmo, e ele é curto. O que separa quem entrega de quem se enrola não é a ferramenta: são os dois passos que quase todo mundo pula, o 02 e o 03.

O LOOP DO VIBE CODING

  1. 01Descreva o resultado, não a implementação. O que a coisa tem que fazer, para quem, em que situação.
  2. 02Leia o plano antes de rodar. Marque toda palavra que você não conseguiria explicar em uma frase para outra pessoa.
  3. 03Escreva a sua restrição no prompt. Disco, orçamento, prazo, plataforma. O que não está escrito não existe para a IA.
  4. 04Rode e teste de verdade, na condição em que aquilo vai viver — não na condição em que ele foi demonstrado.
  5. 05Corrija o rumo com uma frase, em vez de consertar o código na mão. Se três voltas não resolvem, o pedido está errado, não a resposta.
  6. 06Publique e mostre. Quem constrói em público descobre o erro pelo chat, no mesmo dia, de graça.

Cada um dos casos abaixo aconteceu ao vivo, na frente de quem estava assistindo. Estão aqui porque cada um mostra um passo do loop no momento em que ele custa dinheiro.

Passo 02 — a palavra que você não sabe explicar é onde mora o custo

O myosbad estava montando uma base com as empresas da Receita Federal e tinha quase 24 horas de download acumuladas quando o banco corrompeu. A IA diagnosticou e já propôs a solução no mesmo fôlego: rodar um checkpoint para mesclar os 75 GB de alterações pendentes no arquivo principal. O comando estava pronto na tela. Ele não rodou:

"Só não sei, eu só não sei o que que é esse checkpoint."

Pediu a explicação em português claro antes de executar. A tradução trouxe o número que o plano não trazia: mesclar significava 28 GB mais 75 GB ocupando 100 GB de uma vez, num SSD de 200 GB que estava com 4 GB livres. O passo estava certo no manual e errado naquela máquina. Uma pergunta de dez segundos trocou um estrago irreversível por um contratempo de agenda.

Passo 03 — a sua limitação vira requisito do prompt

Na mesma live, com o número na mesa, ele reescreveu a exigência antes de reescrever o comando: "única coisa que eu preciso é que não pegue mais GB". O plano mudou de forma na hora — em vez de mesclar, exportar direto para CSV. A restrição da máquina dele deixou de ser um contexto na cabeça dele e virou parte explícita do pedido.

Escrever a restrição custa uma linha e muda o plano inteiro que volta. Enquanto o limite não estiver escrito no prompt, todo plano que você receber vai ser otimizado para um mundo onde os seus recursos são infinitos.

A versão mais radical disso apareceu no mesmo builder num outro dia. O projeto travou antes da primeira linha de código: a automação que ele queria pedia uma VPS, e ele não tinha dinheiro para uma. Em vez de largar o projeto, ele mudou de dono da máquina — empacotou o app com Tauri, para rodar no computador do próprio usuário e publicar pelo navegador que já está logado. Custo variável perto de zero, e dá para vender antes de existir servidor.

O que o vibe coding acelera não é o que trava o lançamento

O Roberto Rocha vende o Lume, um app de teleprompter e gravação de tela, para creators. Ele montou integração de pagamento com Stripe, licenciamento com CryptoLens, bloqueio de trial vinculado ao ID da máquina e update automático em três ou quatro dias de trabalho. O que atrasou o lançamento foi outra coisa:

"É incrível que o que demora mais é o site."

Essa é a distorção que quase todo mundo erra ao planejar. Você reserva a semana para o código e o fim de semana para a landing page, e a conta vira do avesso. O produto já vendia por três meses sem nenhuma gestão de licença — "era MVP, se ele tava pagando ou não tava pagando, tanto faz" — e adiar essa peça não matou o negócio. O que quase matou foi a página.

O cliente não vem do código

O Guilherme Saraiva respondeu ao vivo a pergunta que todo mundo faz depois do primeiro projeto pronto: como achar quem paga. A resposta não passava por ferramenta nenhuma. O WhatsApp que o Google devolve quase sempre cai na mão do atendente — e se o que você vende é um sistema que atende sozinho, você acabou de pedir para a pessoa errada aprovar o próprio fim.

"Em vez de eu chamar o WhatsApp que aparece lá no Google, eu pesquiso o CNPJ daquela empresa. Acho o número do fundador."

Antes da empresa fria, o círculo próximo: "vende pro seu tio que tem alguma coisa, pra sua prima que tem um negócio". Quem está no primeiro projeto de vibe coding tem uma tentativa por empresa e nada além do próprio texto sustentando a conversa.

Fazer ao vivo não é marketing — é o que paga a conta no começo

O myosbad tinha 4 inscritos no canal no dia em que fez esta conta em voz alta. O YouTube pede 4.000 horas de exibição para liberar a monetização, e uma live aberta enquanto você constrói acumula essas horas sozinha:

"Cara, só de tá aberto aqui já vai contar 2 horas. Eu preciso de 4.000 horas para poder rentabilizar o meu canal."

Ele tem 17 anos e bancou a VPS onde o projeto roda com R$ 150 de um bico de seis horas fazendo lanche. Transmitir custa o clique no botão de iniciar, por cima de um trabalho que aconteceria de qualquer jeito. É a diferença entre gravar conteúdo (que rouba horas de construir) e construir com a câmera ligada.

03 · O MOVIMENTO

Vibe in Public: o vibe coding com a câmera ligada

Vibe in Public é o movimento de builders que fazem vibe coding ao vivo, todo dia, sem corte. Não é uma escola, não tem taxa e não tem contrato. O que se pede de quem entra é uma coisa só: aparecer construindo.

A régua do movimento não é dinheiro nem seguidor. É streak: quantos dias seguidos você apareceu no ar. O placar público mostra horas ao vivo, lives e streak de cada builder — inclusive de quem parou, com o contador congelado do lado. Esconder a queda seria a única coisa proibida aqui.

Isso não é estilo de vida, é método de trabalho. Construir na frente de gente acelera o erro: o chat aponta o bug antes do teste, alguém já resolveu o problema que você está encarando, e a decisão que você tomou por preguiça fica gravada. Todos os casos desta página existem porque estavam gravados.

O QUE APARECER DESTRAVA

  1. 011 live — sua ficha pública nasce: streak, horas no ar, acervo e diário, tudo extraído do que você disse ao vivo.
  2. 022 dias seguidos — suas lives viram artigos com SEO aqui no site. É exatamente assim que a lista lá embaixo cresce.
  3. 033 dias seguidos — a máquina corta os melhores momentos e distribui no Instagram enquanto você constrói.

As regras do movimento não são filosofia de pôster: são nove leis, cada uma com a fala ao vivo que a originou e a data em que foi dita. A que mais aparece na prática do vibe coding é a Lei 6 — "horas são a única moeda que ninguém rouba de ti" — e a que mais dói é a Lei 7: começou, não para.

04 · O QUE A TRINCHEIRA APRENDEU

As lições de vibe coding, tiradas das lives

Cada item aqui é uma live transcrita e transformada em artigo, com a decisão real que foi tomada no ar. São — lições publicadas até agora, e a lista cresce sozinha a cada live nova.

A lista das lições está indisponível neste momento. As lives continuam no placar da home.

05 · PERGUNTAS QUE CHEGAM

Dúvidas comuns sobre vibe coding

Precisa saber programar para fazer vibe coding?

Para começar, não. Para entregar algo que outra pessoa usa, sim — mas o que você precisa saber mudou de lugar. Não é sintaxe: é entender o suficiente para ler um plano e perceber quando ele vai custar caro. A pergunta "o que é isso, em português claro?" substitui boa parte do que antes se aprendia decorando.

Vibe coding é a mesma coisa que no-code?

Não. No no-code você monta dentro de uma plataforma e fica preso a ela. No vibe coding sai código de verdade, num projeto seu, que roda onde você quiser — inclusive empacotado como app de desktop, como no caso do Tauri lá em cima.

Qual ferramenta de vibe coding é a melhor?

A que estiver melhor esta semana. O movimento trata isso como decisão técnica, não como identidade: cada modelo tem o benefício dele, e quem se casa com uma ferramenta paga a conta quando ela piora. O que não muda entre ferramentas é o loop — ler o plano, escrever a restrição, testar de verdade.

Dá para ganhar dinheiro com vibe coding?

Os casos desta página são de gente que já cobra: assinatura mensal de app desktop, sistema de atendimento vendido para empresa pequena, canal monetizado por horas de live. Nenhum deles ficou rico numa semana — a Lei 5 existe justamente para isso: se subiu do dia pra noite, é mentira.

Por que fazer vibe coding ao vivo?

Porque o erro aparece mais cedo e custa menos. E porque a hora que você já ia gastar construindo passa a acumular duas coisas ao mesmo tempo: o produto e o registro público de que você estava lá. É o único placar que ninguém pode contestar depois.

06 · ENTRA NA TRINCHEIRA

Vibe coding não se aprende lendo sobre vibe coding.

Abra o projeto que está parado.

Ligue a câmera.

Descreva o primeiro resultado.

Leia o plano antes de rodar.

A audiência vem depois.
A obra vem primeiro.